nunca se sabe o que nos pode passar pela cabeça
Vivo a procurar saber se estou vivo, se estou a sonhar, se vivo sonhando, ou se sonho vivendo. Não agito os comuns problemas existenciais do amor e da morte, apenas me coloco, sempre que posso, no lugar de observador. E, de certa maneira, sou quase feliz porque não pretendo sê-lo de qualquer maneira.
António José Costa Carneiro | Cria o teu cartão de visita
António José Costa Carneiro | Cria o teu cartão de visita
Páginas
11/03/10
10/03/10
Aqui está a minha vida
Aqui está a minha vida.
Esta areia tão clara com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está a minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento.
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está a minha herança,
este mar solitário
que de um lado era amor e, de outro, esquecimento.
Esta areia tão clara com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está a minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento.
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está a minha herança,
este mar solitário
que de um lado era amor e, de outro, esquecimento.
Cecília Meireles
09/03/10
Gaiolas de vidro. Nós somos quem somos. Mas o que nos distingue são os nossos unicórnios.
Como paredes
através das quais
o mundo vemos pelo ser dos outros
quem vamos conhecendo nos rodeia
multiplicando as faces da gaiola
de que se tece em volta a nossa vida.
No espaço dentro (mas que não depende
do número de faces ou distância entre elas)
nós somos quem somos: só distintos
de cada um dos outros, para quem
apenas somos a face em muitas,
pelo que em nós se torna, além do espaço,
uma visão de espelhos transparentes.
Mas o que nos distingue não existe.
Jorge de Sena
Imagem retirada do Google
07/03/10
Olá
Confesso que durante muito tempo pensei que havia muita coisa na vida que durava para sempre, tais como os pais, os amigos, o amor e por aí fora, mas, com bastante dor, descobri com o tempo que não é bem assim.
Na vida, tudo passa, tudo muda. As pessoas chegam e partem, as dores marcam-nos e atenuam-se, o medo paralisa-nos e desaparece, a desilusão instala-se e dá lugar ao sonho, as lágrimas caem e secam-se com sorrisos, a solidão é preenchida com amigos que chegam e um dia partem também.
Amores, mais cedo ou mais tarde acabam, mesmo contra nossa vontade, não podemos fazer nada para confirmar se afinal podem durar para sempre.
E depois, o que fica?
O que nos resta são apenas as memórias dos factos consumados, boas ou más.
Somos sobretudo seres solitários que caminham temporariamente acompanhados. Ficam-nos os sinais de quem nos acompanhou por breves etapas e que num certo instante, quase sempre inesperado, tomou outra direcção e desapareceu do nosso alcance.
A lei é simples: vão uns e vêm outros. A um amor perdido, segue-se uma nova paixão.
Perdemos sempre um pouco de nós em cada partida, em cada mudança, no fim de um enamoramento, mas ganhamos um pouco também de quem parte. É assim mesmo.
Custa a enfrentar esta realidade, ver partir alguém para nunca mais voltar. Nem sequer é bom pensar nas situações de partida provocadas pela morte de pessoas que amamos muito.
Amores e amigos, vêm e vão e ao passarem pelo nosso espírito ganham raízes que duram para toda a nossa existência mesmo que o acaso nos separe definitivamente.
Somos viajantes do tempo e do espaço e os outros seres que encontramos são breves companheiros de jornada. Devemos aprender a desfrutar da sua companhia enquanto podemos porque raros são os regressos e quando acontecem, nada será igual ao que já foi.
Adeus Amor de algum dia.....Olá nova eterna paixão!
aj carneiro
02/03/10
A pedra na mão
O mestre joalheiro, como primeira lição, meteu na mão do discipulo, uma pedra de jade e disse:
- Conserva a tua mão assim fechada por um ano.Adeus
E mandou-o embora
Quando chegou o momento,o aluno voltou ao mestre, abriu a mão e deu-lhe a pedra.
- E agora que devo fazer?
O mestre respondeu:
-Vou-te meter outra pedra na mão e tu vais guardá-la durante um ano.
-mais um ano? porquê esta ordem absurda, velho idiota?
Enquanto protestava, o mestre meteu-lhe na mão outra pedra.
Maquinalmente, o jovem fechou a mão sobre a pedra e exclamou de repente:
Mas esta pedra não é jade!
- Conserva a tua mão assim fechada por um ano.Adeus
E mandou-o embora
Quando chegou o momento,o aluno voltou ao mestre, abriu a mão e deu-lhe a pedra.
- E agora que devo fazer?
O mestre respondeu:
-Vou-te meter outra pedra na mão e tu vais guardá-la durante um ano.
-mais um ano? porquê esta ordem absurda, velho idiota?
Enquanto protestava, o mestre meteu-lhe na mão outra pedra.
Maquinalmente, o jovem fechou a mão sobre a pedra e exclamou de repente:
Mas esta pedra não é jade!
21/02/10
colocar os contadores da vida a zeros
Há certas alturas em que o melhor que temos a fazer é colocar todos os contadores da nossa existência a zeros e seguir um caminho novo. A vida desponta novamente com novas ambiências de cada vez que algo termina e só o presente existe - o eterno agora. O passado é apenas uma memória, uma construção selectiva, e deve servir como referência, como base do conhecimento individual adquirido, como um guia suporte para a tomada de decisões; enquanto que o futuro não é mais que uma conjectura.
O tempo, o silêncio, o amor, a luz...são mistérios aparentemente irresolúveis, uma evidência da nossa enorme ignorância. A única certeza que temos é a de que um dia havemos de morrer e mesmo assim vivemos como se fossemos eternos.
A vida é breve e por isso temos a obrigação de ser felizes e só conseguimos sê-lo quando reconhecemos o momento que desfrutamos como bom para morrer, pois esse será um daqueles tão raros em que nada mais nos falta e nada mais nos sobra.
DIA O
ANO 0
aj carneiro
09/02/10
Hà uma mulher que me procura no espírito das horas lunares
Há uma mulher que me procura no espírito das horas lunares
que me atira o olhar como um beijo entre os lábios
que me estende os cabelos para eu atravessar o abismo,
expõe o seu coração de fêmea para a inclinação do meu sangue.
Preparo o ventre para beber dela toda a ternura,
Sofro da fadiga de uma viagem atormentada por silêncios.
Eu quero e não quero vê-la para lá do seu perfume
porque ela é tangível como uma fonte de água fresca
porque ainda me prendo na distância de outro sol.
Há uma mulher que é como um pássaro que me tranquiliza
quando a toco na noite que nos cede o instinto
com as palavras que lhe caminham sobre a sua vulva.
Ela anseia pelas sílabas da minha solidão amargurada,
e felina, aguarda pacientemente por meu sexo ferido
apertando as suas coxas no contorno do fogo.
Há uma mulher praia de areia fina e seixos rolados
e eu na onda da madrugada já demoro de encontro a ela.
AJ Carneiro
foto retirada do Google
03/02/10
a verdadeira ciência
-Mestre.
-Que desejas?
-Aprender a ciência.
-Puxa a corda deste fole.-disse-lhe o mestre ferreiro.
Puxou a corda de sol a sol, durante um ano, sem que ninguém lhe dirigisse a palavra.
-Mestre.
-Que queres?
-Quero a ciência, mestre.
-Puxa a corda.
-Que desejas?
-Aprender a ciência.
-Puxa a corda deste fole.-disse-lhe o mestre ferreiro.
Puxou a corda de sol a sol, durante um ano, sem que ninguém lhe dirigisse a palavra.
-Mestre.
-Que queres?
-Quero a ciência, mestre.
-Puxa a corda.
Passaram mais cinco anos, silenciosos.
27/01/10
O Poeta precisamente só o será quando a sua imaginação for além da imaginação do Universo.
António Maria Lisboa
17/01/10
Poucos dias são uma vida
Poucos dias são uma vida
Não chegam para quase nada.
Encosta o beijo ao meu ouvido
A hora é esta, o tempo é leve.
Ficarei feliz e apaziguado
e será um belo dia para morrer!
aj carneiro
15/01/10
A vida é madrasta e mostra-nos que não devemos tomar nada por garantido.
Devemos cultivar a "desinstalação"
11/01/10
01/01/10
As borboletas e a vela
Uma primeira borboleta foi até à vela, atormentada pelo desejo de se unir com ela.Voltou e contou o que tinha visto. Mas a borboleta sábia disse que aquilo não lhes a adiantava de nada ao conhecimento que tinham da vela.
Uma segunda borboleta foi mais perto da vela.Voltou com as asas queimadas.A sua explicação também não foi exacta.
Uma terceira, ébria de amor,atirou-se violentamente sobre a vela.Identificou-se com a chama.
Então a borboleta sábia- a ver de longe- disse às outras:
-Aprendeu o que queria saber.Mas só ela compreendeu, e e´tudo!
Uma segunda borboleta foi mais perto da vela.Voltou com as asas queimadas.A sua explicação também não foi exacta.
Uma terceira, ébria de amor,atirou-se violentamente sobre a vela.Identificou-se com a chama.
Então a borboleta sábia- a ver de longe- disse às outras:
-Aprendeu o que queria saber.Mas só ela compreendeu, e e´tudo!
21/12/09
20/12/09
Força
A força não provém da capacidade física, mas da vontade férrea"
Gandi
17/10/09
Tacendo non incurritur periculum
Calando não se correm riscos
04/06/09
nota azul
Há aquela história sobre o pintor Delacroix que escreveu ao amigo Chopin, o compositor, "ontem à noite, quando tocou, escutei a nota azul"
14/05/09
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