nunca se sabe o que nos pode passar pela cabeça

Vivo a procurar saber se estou vivo, se estou a sonhar, se vivo sonhando, ou se sonho vivendo. Não agito os comuns problemas existenciais do amor e da morte, apenas me coloco, sempre que posso, no lugar de observador. E, de certa maneira, sou quase feliz porque não pretendo sê-lo de qualquer maneira.
António José Costa Carneiro | Cria o teu cartão de visita

02/03/10

A pedra na mão

O mestre joalheiro, como primeira lição, meteu na mão do discipulo, uma pedra de jade e disse:

- Conserva a tua mão assim fechada por um ano.Adeus
E mandou-o embora

Quando chegou o momento,o aluno voltou ao mestre, abriu a mão e deu-lhe a pedra.
- E agora que devo fazer?
O mestre respondeu:

-Vou-te meter outra pedra na mão e tu vais guardá-la durante um ano.
-mais um ano? porquê esta ordem absurda, velho idiota?

Enquanto protestava, o mestre meteu-lhe na mão outra pedra.

Maquinalmente, o jovem fechou a mão sobre a pedra e exclamou de repente:

Mas esta pedra não é jade!

21/02/10

colocar os contadores da vida a zeros


Há certas alturas em que o melhor que temos a fazer é colocar todos os contadores da nossa existência a zeros e seguir um caminho novo. A vida desponta novamente com novas ambiências de cada vez que algo termina e só o presente existe - o eterno agora. O passado é apenas uma memória, uma construção selectiva, e deve servir como referência, como base do conhecimento individual adquirido, como um guia suporte para a tomada de decisões; enquanto que o futuro não é mais que uma conjectura.
O tempo, o silêncio, o amor, a luz...são mistérios aparentemente irresolúveis, uma evidência da nossa enorme ignorância. A única certeza que temos é a de que um dia havemos de morrer e mesmo assim vivemos como se fossemos eternos. 
A vida é breve e por isso temos a obrigação de ser felizes e só conseguimos sê-lo quando reconhecemos o momento que desfrutamos como bom para morrer, pois esse será um daqueles tão raros em que nada mais nos falta e nada mais nos sobra.


DIA O

ANO 0
aj carneiro

09/02/10

Não há nada que se compare ao momento extraordinário em que tocamos pela primeira vez a mão de alguém

MRP


Hà uma mulher que me procura no espírito das horas lunares




Há uma mulher que me procura no espírito das horas lunares
que me atira o olhar como um beijo entre os lábios
que me estende os cabelos para eu atravessar o abismo,
expõe o seu coração de fêmea para a inclinação do meu sangue.

Preparo o ventre para beber dela toda a ternura,
Sofro da fadiga de uma viagem atormentada por silêncios.

Eu quero e não quero vê-la para lá do seu perfume
porque ela é tangível como uma fonte de água fresca
porque ainda me prendo na distância de outro sol.

Há uma mulher que é como um pássaro que me tranquiliza
quando a toco na noite que nos cede o instinto
com as palavras que lhe caminham sobre a sua vulva.
Ela anseia pelas sílabas da minha solidão amargurada,
e felina, aguarda pacientemente por meu sexo ferido
apertando as suas coxas no contorno do fogo.

Há uma mulher praia de areia fina e seixos rolados
e eu na onda da madrugada já demoro de encontro a ela.


AJ Carneiro

foto retirada do Google

03/02/10

a verdadeira ciência

-Mestre.
-Que desejas?
-Aprender a ciência.
-Puxa a corda deste fole.-disse-lhe o mestre ferreiro.

Puxou a corda de sol a sol, durante um ano, sem que ninguém lhe dirigisse a palavra.

-Mestre.
-Que queres?
-Quero a ciência, mestre.
-Puxa a corda.

Passaram mais cinco anos, silenciosos.

17/01/10

Uma vez derrotado podes optar por te esconder com serapilheira e cinzas ou folhas

Napoleão

Poucos dias são uma vida



Poucos dias são uma vida
Não chegam para quase nada.
Encosta o beijo ao meu ouvido
A hora é esta, o tempo é leve.
Ficarei feliz e apaziguado
e será um belo dia para morrer!

aj carneiro

01/01/10

As borboletas e a vela

Uma primeira borboleta foi até à vela, atormentada pelo desejo de se unir com ela.Voltou e contou o que tinha visto. Mas a borboleta sábia disse que aquilo não lhes a adiantava de nada ao conhecimento que tinham da vela.

Uma segunda borboleta foi mais perto da vela.Voltou com as asas queimadas.A sua explicação também não foi exacta.

Uma terceira, ébria de amor,atirou-se violentamente sobre a vela.Identificou-se com a chama.

Então a borboleta sábia- a ver de longe- disse às outras:

-Aprendeu o que queria saber.Mas só ela compreendeu, e e´tudo!

20/12/09

Força

A força não provém da capacidade física, mas da vontade férrea"
Gandi 

04/06/09

nota azul

Há aquela história sobre o pintor Delacroix que escreveu ao amigo Chopin, o compositor, "ontem à noite, quando tocou, escutei a nota azul"


17/04/09

Amizade é estar junto e sorrir sem ser preciso



O céu é grande em nós quando estamos juntos.
*
Nenhum sonho vem da manhã se não estivermos juntos.
*
A manhã nasce do teu sorriso
*
A alegria imensa de estarmos junto amanhece para lá do nosso sorriso
*
A caminhar junto se ganha a memória feliz
*
A sorrir junto se ganha a felicidade
*
Procuremos junto a vida mais próxima e acendida de sorrisos.
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Sorrisos que recordam espaços alcançáveis só por estarmos juntos
*
Procuremos a alegria mais próxima e tangível de estarmos juntos
*
Para sorrirmos basta estar junto.
*
Abre-se-nos o rosto num sorriso, fugimos de manhã em manhã.
*
Sorrimos à sombra de árvores frondosas de amizade
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Vamos juntos pelas manhãs onde o sorriso nos recorda a fresca alba da amizade
*
Os olhos já vêem o que ainda não nasceu em nós
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A vida dá muitas voltas à volta do nossos sorrisos juntos.
*
Há uma amizade a rebentar na frescura impetuosa da manhã.
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Adivinha-se um caminho de flores no rumor do teu sorriso
*
No céu terei sempre um pedaço do teu sorriso, e o perfume da tua amizade.
*
Da terra sobem sorrisos de serena amizade
*
Fico atento ao eterno sorriso do teu refúgio
*
Teus sorrisos diáfanos de diamantes
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Sorrisos à volta de uma amizade, a vida flutua da luz de nossos lábios.
*
És um jardim que se enche de pássaros quando sorris.
*
Em nós cresce a valiosa alegria, as flores de um jardim com rosas-de-ventos.
*

09/04/09

O silêncio e o vazio de madre Teresa

"O silêncio e o vazio é tão grande que olho e não vejo, escuto e não ouço, a língua move-se mas não fala"
Agnesë Gonxhe Bojaxhiu, madre Teresa